O que é meditação?
Existem muitas idéias, muitas definições sobre o que é meditação. Mas, na minha experiência, mesmo quando essa definição parte de quem sabe o que é meditação, ela não pode ser entendida se não for experienciada.
Todo nosso trabalho terapêutico tem como fundamento a meditação. Acreditamos que somente experimentado um estado meditativo um cliente de terapia pode verdadeiramente se “soltar” do problema. Enquanto ele “brigar” com o problema ou mesmo tentar “fugir” do mesmo, o problema lhe seguirá como uma sombra.
Meditação é, então, uma decisão corajosa de encarar o problema, olhando para o mesmo sem julgamento, observando-o como um investigador desidentificado.
Porque fechar os olhos para praticar meditação?
Na meditação é importante fechar os olhos para o mundo externo. Algumas pessoas acham que o meditador é um escapista, que ele quer fugir do mundo porque fecha os olhos para ele. Essa não é a razão pela qual fechamos os olhos. A razão é que nossa consciência é noventa e nove por cento orientada para o exterior. Somente fechando os olhos essa consciência pode mudar a direção e olhar para os nossos próprios processos internos. Outra razão é que despendemos a maior parte da nossa energia através dos olhos e precisamos de uma grande quantidade de energia para darmos esse mergulho no nosso interior.
Como posso praticar a observação?
Comece observando os eventos do momento. Você pode observar a sua respiração. Perceba o movimento do ar que entra e sai do seu corpo; a barriga faz um movimento sutil de inflar e esvaziar. Observe esse ir e vir do abdômen. Você pode também observar as sensações corporais, como uma tensão ou alguma dor. E quando você estiver presente no seu testemunhar, outros eventos mais sutis virão para seu foco: sentimentos e emoções, pensamentos conectados com esses sentimentos. Ou mesmo pensamentos desconectados de qualquer sentimento – somente idéias vagando na sua mente, memórias, fantasias, curiosidades.
Agora comece a perceber que todos estes ‘eventos’ observados tem um inicio e um fim. A sua respiração começa e termina. Os seus pensamentos vêm e vão. A sua tristeza chega e vai embora. Veja que tudo isso são como ‘coisas’ que tem um início e um fim. Todas essas experiências têm um nascimento e uma morte.
Agora vem uma pergunta mais difícil: quem observa? Quem está consciente que a respiração começa agora e pára agora? Quem está presente agora?
A norte-americana Sagarpriya – criadora da Massagem Psíquica e discípula do Mestre indiano Osho, em seu livro “The Master’s Touch: Psychic Massge” responde a essas perguntas: “Existe uma testemunha dentro de nós que não vive na dimensão do tempo e do espaço. Ela pertence somente ao presente. O presente é muito pequeno para algo acontecer. O presente é somente este momento, este instante – não dois instantes, um seguindo o outro. Até mesmo falar que ele é pequeno é uma incompreensão, porque toda palavra pertence à dimensão temporal. A testemunha (o observador) pertence a uma dimensão que não pode ser medida cientificamente. Ela é a consciência da dimensão científica. Ela é o sujeito observando objetos. É um tipo de saber que ‘isto’ está acontecendo ‘agora’.”
E complementa: “Nesta dimensão do presente, nada nunca muda, nada nunca acontece. Tudo é silencioso, pacífico, eterno.”
Como podemos nos desidentificar dos eventos?
Então, parece claro que a consciência do observador é fundamental para a meditação. Com a prática começamos a ter um relacionamento diferente com os eventos. Começamos a criar uma distância dos mesmos. No início estamos tão ‘colados’ aos eventos que perceber qualquer distancia é quase impossível. Por isso acreditamos que somos os eventos. Achamos que somos os pensamentos, que somos as sensações corporais, que somos os sentimentos.
Com o aprofundamento da meditação começamos a perceber que aquele que observa é diferente e está separado dos eventos observados. Nasce então a consciência desidentificada. Olhamos para nossos problemas, nossas questões do cotidiano, nossos sentimentos e emoções e começamos a nos perceber separados de tudo isso.
Você pode ver o seu desejo ou o seu ciúme sem ser possuído por eles. Você pode olhar para sua impaciência sem se identificar com ela. Você é a testemunha que observa pacificamente o evento impaciência passando. Você é como o céu observando a passagem das nuvens sem se perturbar.
Nesse estado você se encontra em meditação. Meditação não é pensar sobre algo, nem muito menos algo a ser atingido. Meditação é um estado de consciência que vive somente aqui-agora.
Nas palavras do mestre de meditação Osho em seu livro “Meu Caminho: O Caminho das Nuvens Brancas”: “Esteja onde estiver, esse lugar é a meta. A meta não é algo que termina em algum ponto, um fim de linha. A meta é o próprio momento”.
E complementa: “Aqui, para mim, você é um ‘siddha’, um ser iluminado. Aqui, você já se realizou. Aqui, já é tão perfeito quanto pode ser, é um Buda, um Mahavir ou um Krishna. Não há mais nada para alcançar. Neste exato momento, tudo está presente – somente você não percebe.”
Namastê!
Guilherme Ashara viveu na Índia, onde aprendeu e praticou meditação na presença do Mestre Osho. Quando está lá, Ashara lidera meditações e dá atendimentos individuais no Osho Resort em Puna – Índia.
