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Quem está dentro de você?!

Ashara G. Souza

Quem somos nós? Esta é uma pergunta que a humanidade vem se fazendo há milênios e não encontra uma resposta conclusiva. Por que uma pergunta tão simples pode ser tão difícil de responder?

 
Se você assistiu as Olimpíadas de Pequim deve ter visto alguns atletas falando sozinhos. Alguns se incentivando, outros batendo no próprio corpo, como quem dissesse: “vamos, a hora é esta. Você precisa dar tudo de si. Todo o país está torcendo por você...”

Quem nunca se pegou falando consigo mesmo? Pois é, que vozes são essas que ficam se expressando e mesmo quando não saem verbalmente falam continuamente dentro das nossas próprias mentes?

Um dos principais trabalhos de autoconhecimento é descobrir conscientemente a natureza e a origem dessas vozes interiores.

Por três vezes participei de um processo terapêutico-meditativo de três dias, chamado “Quem está dentro?” É um processo simples onde sentamos em frente a um companheiro e perguntamos: “Por favor, diga-me quem está dentro de você?” E o parceiro, por três dias, da manhã à noite, responde aquilo que sua mente está pensando, seu corpo e emocional estão sentindo.

Tudo o que foi reprimido durante toda uma vida, agora tem a chance de ser liberado. Toda loucura interna agora tem permissão de ser revelada. Os fantasmas se mostram, as vergonhas são vistas, os bloqueios se soltam. E o mais importante: nada é julgado, nada é condenado, tudo é permitido. O parceiro que ouve, o faz como se estivesse diante de um espelho. Não concorda, nem discorda. Não acha interessante, nem absurdo. Apenas está presente.

Diálogo de Vozes

Uma outra terapia que nos indica o caminho na direção da descoberta de quem somos nós, é o Diálogo de Vozes. Aqui dividimos o nosso ego em sub-personalidades ou vozes interiores.

Quando permitimos que essas vozes se expressem nos surpreendemos com as dezenas de sub-personalidades que cada um de nós carrega.

As mulheres se identificam com a mãe, a sedutora, a esposa, a amante, a profissional, a atleta. As identificações negativas podem ser: a frágil, a vítima, a fracassada, a prostituta e muitas outras.

Os homens se vêem como o pai, o marido, o macho, o garanhão, o trabalhador, o engenheiro, o advogado. Negativamente eles se identificam com o fraco, o agressivo, o miserável, o carrasco, o fútil e mais uma infinidade delas.

Algumas identificações clássicas são: a criança, o herói, o guerreiro, o amante e o sábio.

Afinal, quem somos nós?

Você se identifica com alguma das personalidades acima? Quem é você? Reflita agora e veja quem você acha que é. Com quem você se identifica?

Ajuda muito colocar num papel aquilo que você pensa de você mesmo. E para cada personagem você acrescenta um título.

Você verá que você tem muitas vozes. Verá que se identifica com uma sub-personalidade específica para cada situação, diante de cada tipo de pessoa. E a passagem é rápida e automática. No momento em que muda a situação ou a pessoa, instantaneamente a nova personalidade aparece.

Por que o ego assume esses papéis, essas personalidades?

Eckart Tolle em seu livro O Mundo Novo – O Despertar de uma Nova Consciência, responde: “Por causa de uma pressuposição, um erro fundamental, um pensamento inconsciente. O pensamento é: eu não me basto. Outros pensamentos inconscientes o seguem: eu preciso assumir um papel com o objetivo de conseguir o que preciso para ser eu mesmo; preciso conseguir mais para que eu seja mais”.

Em nossa percepção, o ego assume essas vozes também como uma forma de proteção e no sentido de agradar ao outro. Algumas vozes são condicionamentos sociais, outras são reações ou afinidades advindas da relação com os pais na primeira infância.

Por exemplo: se você é mulher e aprendeu que o sexo é sujo, você pode assumir o papel de puritana, concordando com essa voz; ou assume o papel de prostituta negando essa voz. O que normalmente acontece é que você terá essas duas vozes internalizadas. Uma hora você se comportará como a puritana e em outra situação como a prostituta.

Nesse caso, quem é você, puritana, prostituta ou ambas?

Nossa primeira resposta é: você é aquilo com o qual se identifica.

Em terapia damos espaço para todas essas vozes, começando pelas principais – as que mais se destacam no momento. Se a puritana, por exemplo, roubou a cena, começamos por ela. Damos espaço para que ela se expresse, dizendo coisas como: “Eu sou a puritana. Eu não gosto do meu corpo, também não gosto de sexo... quando era criança fui abusada sexualmente. Não gosto quando os homens me tocam, etc.” E sabendo que cada puritana tem uma prostituta internalizada, damos também espaço para este lado. Talvez ela se apresente timidamente no início, mas com o passar do tempo ela pode se apresentar com muita energia e expressividade. Simplesmente estava totalmente reprimida, anulada, calada.

Alguém pode estar se perguntando: o que tem de bom fazer surgir a prostituta numa mulher?

Prostituta numa linguagem metafórica é sinônimo de mulher quente, gostosa, alegre, viva, sexy, conectada com seu corpo e sua energia. Que mulher não gostaria de ser assim? Não é que ela vá se transformar numa prostituta, mas vai dar vazão a todas as qualidades que estão ligadas a essa sub-personalidade.

Uma segunda maneira de responder a pergunta quem é você, é: você não é nenhuma dessas sub-personalidades, você é a consciência que observa. Se você consegue olhar e expor essas vozes conscientemente, a identificação desaparece e você não é nem prostituta, nem puritana. Você passa a ser aquela que observa. Você é a testemunha.

Resumindo: as energias de alegria, vitalidade, sexualidade e tudo mais que se escondiam por trás da puritana começam a se revelar e podem ser possuídas por você.

Conectar com nosso ser essencial, além da personalidade passa por reconhecer todos os papéis, as vozes, as máscaras que assumimos ao longo da vida. Então, viver todo o nosso potencial requer deixar cair as máscaras, ir além do ego, além das identificações.

Desta forma, o nosso potencial é revelado, pois ele é parte integrante da nossa essência que é parte integrante da essência existencial. E somente reconhecendo o nosso ser essencial saberemos quem somos, porque somos essa própria essência. E em contato com essa fonte essencial podemos ter uma vida mais plena, relacionamentos mais prazerosos e uma atividade profissional mais criativa e preenchedora.

Namastê!

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Comentários

Lista de comentários

claudia santos comentou:

07/03/2009 20:29

Gostaria de receber os artigos ZEN. Ameio-os!

RESPOSTA: Você está sendo adicionada na nosa mala-direta. Obg. pelo comentário!

diasanto9@yahoo.com.br

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