Guilherme Ashara
Diariamente chegam ao meu consultório clientes frustrados, pois já tentaram vários tipos de terapia e os seus problemas não acabaram, nem minimizaram.
Já olho para este cliente com um certo cuidado, pois possivelmente uma grande parte sua não está querendo mudar e esta parte é resistente a qualquer tipo de terapia. Uma outra possibilidade é que alguns terapeutas não se especializaram em quebrar resistências e se perdem no trato com clientes com essas características.
Nesses anos de atendimento terapêutico me especializei em quebrar resistência. E normalmente aceito o desafio quando vem a mim cliente com grandes resistências a mudanças.
Nesse artigo gostaria de enfocar algumas das principais dificuldades vivenciadas pelos clientes quando submetidos a um processo terapêutico, bem como, as dificuldades enfrentadas pelos próprios terapeutas e algumas possíveis dicas e soluções.
Mudando a direção do olhar.
Uma das dificuldades fundamentais com a maioria dos clientes é fazê-los perceber que o problema não está fora, e sim, dentro dele mesmo. Mudar a seta que aponta para fora e começar a ver os traumas e as feridas internamente é um tremendo passo. Talvez seja o passo mais importante no processo terapêutico.
Uma outra dificuldade é o nível de energia vital que o cliente tem. Algumas pessoas já estão lutando a tanto tempo que estão perdendo as forças. E chegam literalmente pedindo socorro. Eles estão pressentindo um cheiro de estagnação e falência no ar. Alguns estão literalmente olhando na direção da morte. Somente nesse momento eles pedem ajuda.
A grande dificuldade do terapeuta com esse tipo de cliente é fazer com que ele deixe de olhar na direção da morte e comece a olhar na direção da vida.
O que fazer? Quais as diretrizes a serem adotadas?
O primeiro passo é o resgate da energia vital. As sessões de corpo e bioenergia são essenciais nesse momento. Em adição, é necessário que o cliente, se possível, comece a fazer algum tipo de atividade física: dança, hidroginástica, caminhada, natação ou algum tipo de esporte. Se não é possível ele pode receber sessões de Acupuntura, massagem ou Reiki, por exemplo.
É quase impossível fazer algo mais profundo se não existe energia vital. Sabemos, por outro lado, que em muitos casos a energia vital está simplesmente aprisionada em couraças e nós ou buracos energéticos causados por traumas e feridas do passado. Outra possibilidade é que a energia esteja ‘vazando pelo ladrão’. Olhando para alguns clientes me vem a imagem de um barril com uma centena de buracos com líquido vazando por todos os lados.
E não se espantem porque isso acontece com a maioria de nós. Alguns mais, outros menos. É nossa própria energia vital escapando da fonte, movida por desejos, preconceitos, identificações, julgamentos, críticas, confusões mentais, padrões de tristeza, melancolia e sofrimento.
A Teoria dos Buracos Energéticos
O filósofo e escritor A. H. Almaas em seu livro ‘Coração de Diamante’ nos dá dicas valiosas a respeito desses vazamentos, ele diz: “As pessoas nas atuais circunstâncias estão cheias do que chamamos de “buracos”. Buraco se refere a alguma parte de nós que ficou perdida, significando qualquer parte da qual você perdeu a consciência. O que ficou foi um buraco, em certo sentido, uma deficiência. E aquilo de que nós perdemos a consciência é naturalmente a nossa essência.”
Por que as terapias não funcionam?
A maioria das terapias não funciona ou tem uma área de atuação bem reduzida porque elas estão lá apenas para preencher os vazios ou ‘buracos’ dos clientes. O contrato é mais ou menos este: “Você me paga e eu lhe dou o que você quer, isto é, preencho seus vazios!” Ora, se a terapia tem esse tipo de contrato, ela, de antemão, está fadada ao fracasso, pois vai somente satisfazer aos desejos e imposições de quem a procura.
O verdadeiro terapeuta é aquele que compreendeu que não pode se vender por dinheiro algum. É aquele que sabe dizer ‘não’ quando se sente pressionado ou seduzido. É aquele que sabe olhar além da personalidade daquele que o procura e diz ‘sim’ a uma parte essencial que busca a verdade.
Uma outra dificuldade da maioria dos terapeutas é que eles mesmos não exploraram seus desejos, suas deficiências, suas feridas, seus buracos.
Um terapeuta só consegue ajudar ao cliente até onde ele próprio se lançou no seu processo de cura e consciência de si mesmo. Em outras palavras: a consciência do terapeuta é mais importante do que as ferramentas que ele utiliza.
Outra grande armadilha na qual a maioria dos terapeutas caem é quando eles querem direcionar a vida dos clientes. Normalmente eles o fazem de acordo com seus próprios conceitos de vida. Dar conselhos e seus próprios exemplos de vida é a maior falácia terapêutica.
“Um terapeuta tem que ser um amigo verdadeiro..."
Nas palavras do Místico indiano Osho: “Um terapeuta tem que ser um amigo verdadeiro. Ele tem que mostrar sua compaixão, seu amor, sua compreensão. Tem que fazer com que o paciente sinta que pela primeira vez está sendo respeitado como um indivíduo, como um ser humano. Se você (terapeuta) começa a brincar de Deus, o cliente é novamente humilhado. E isto é o que ele vem sofrendo por toda a sua vida neste mundo.” Esse é o seu maior problema.
Um terapeuta tem que ser um amigo, tem que aprender a escutar. Como diz o terapeuta e coordenador da UNIPAZ – Roberto Crema: “Para cuidar, precisamos escutar. A escuta é o medicamento mais essencial. É uma grande arte, pois só realmente escuta quem é capaz de silêncio interior”.
E eu ressalto: Somente quem tocou o silêncio interior, aprendeu a arte de escutar, de estar presente, tem a habilidade de responder, de tocar a alma do cliente. E sintetizo tudo isso em uma palavra: “meditação”. Somente quem aprendeu a meditar, a estar presente e relaxado na sua interioridade diante do cliente, tem a capacidade de ser um terapeuta holístico, um terapeuta completo. Somente essa consciência amorosa pode tocar a outra consciência divina que se encontra ali na sua frente.
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