Ela é composta de quatro estágios:
No primeiro estágio você permite que seu corpo chacoalhe, vibre, se mexa.
No segundo estágio você permite que seu corpo dance, flua com a música.
No terceiro estágio você simplesmente observa tudo o que está acontecendo com você e com o ambiente à sua volta.
E no último estágio você deita, relaxa e se entrega, não há mais nada a ser feito.
Nesse momento tenho feito essa meditação diariamente e há exatos vinte anos que a pratico.
Quem nunca fez as meditações do Osho pode estar se perguntando: Nossa! Vinte anos fazendo esses mesmos quatro estágios?
Mas, pra mim, que os pratico há vinte anos, é como se estivesse praticando hoje pela primeira vez, da mesma forma que acordo todos os dias e tomo café-da-manhã, trabalho, namoro, faço todos os tipos de coisas.
Na minha experiência existem duas maneiras de viver o dia-a-dia: a primeira é senti-lo como algo repetitivo, muitas vezes pesado ou enfadonho; a segunda maneira é senti-lo como se fosse a primeira vez que o estivéssemos vivendo.
Mas, vale ressaltar que isso não é simplesmente uma questão de escolha, e sim, uma questão de estar com a consciência focada no presente no exato momento em que estamos fazendo algo ou mesmo em total estado de passividade.
Mas o que tudo isso tem a ver com os quatro estágios da meditação Kundalini?
Tudo a ver! Há momentos em que estou chacoalhando com a vida ou a vida está chacoalhando comigo. Eu tento, me apresso, faço, me desespero, fico ansioso, estou na luta com a vida. Às vezes, estou como no segundo estágio, dançando com a vida. Eu brinco, rio, me divirto... a vida é simples e fácil, me deixo levar pela correnteza.
No terceiro ato da minha vida, tudo isto, da mesma forma, acontece, mas existe uma diferença fundamental, é que estou com a consciência em total estado de alerta. Osho chama de “choiseless awareness” que se traduz como “presença consciente, sem escolha”.
E por que isso muda tudo?
Este, pra mim, é o maior presente que recebi do Osho. A percepção de que a consciência focada no presente muda tudo. Tudo o que faço sem a consciência no presente é enfadonho, repetitivo, duro, chato e ao contrário, o que faço com a consciência no presente é novo, juvenil, vibrante, cheio de vida, transbordante.
E o quarto estágio?
Bom, nesse nem mais observar é preciso. A presença se dá sem nenhum esforço. Total entrega, total aceitação, “deixa a vida me levar”, deixa ser, deixa estar... dissolução com a existência.
E alguém perguntaria: Se você conhece as quatro formas de viver, porque então não escolhe a melhor forma e faz dela a sua vida?
Bem, não sinto que seja exatamente assim! É verdade, conheço os quatro estágios, e todos os dias experimento os quatro. Aprendo a cada dia, a lutar com consciência, a dançar com consciência, a observar com consciência e a me entregar com consciência. Os três primeiros estágios você pode fazer e praticar, mas o último é um acontecimento.
Quando estou consciente desse estágio de entrega total, o tempo pára, este momento é tudo, a vida é uma profunda comunhão com o todo. Mas não posso me apegar a esse estágio, pois o apego é novamente entrar na luta, tentando ser, tentando ter. A miséria bateu à sua porta novamente.
Existem vários buscadores apegados a esse estágio. Sinto que vivem a ilusão do “encontro”. E aí novamente agradeço ao toque do meu Mestre que diz que devemos brincar com os quatro estágios. “A existência quer você exatamente da forma que você é, nem mais, nem menos!”
E novamente começo a brincadeira existencial. Trabalho, me divirto, namoro, medito, deixo a vida me levar, ciente de que a essência da vida está na maneira que eu a tomo, que eu a recebo, e não na maneira que a dirijo ou que a controlo.
Neste momento (2008) estou vivendo num espaço de meditação e terapia, dando grupos de Constelação Familiar, vivendo com minha mulher, meu filho, isto é, trabalho, tenho responsabilidades, me divirto, amo... tudo igual a qualquer ente humano.
Mas existe uma grande diferença que é este estado de "presença consciente, sem escolha". E isto é o que esses anos de prática meditativa me deram... e, - um segredo - ninguém pode mais me tirar isso. Por uma simples razão: descobri que sou esta própria consciência. Ela não me foi dada por ninguém. E esta percepção me deixa muito mais relaxado e confiante neste momento: aqui e agora!
Ashara G. Souza
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