Ela já vinha sofrendo as conseqüências por essa compulsão pelo trabalho. Seu relacionamento estava abalado e uma filha se afastara dela para morar no exterior. E o mais importante ela não se sentia feliz.
Ela já havia tentado algumas vezes o processo psicoterapêutico, mas havia desistido depois de poucas sessões.
Eu sinceramente me impressiono com a coragem ou talvez o desespero de algumas pessoas que viajam milhares de quilômetros porque ouviram falar que alguém pode ajudá-las. Mas lá estava ela diante de mim, apostando todas as suas fichas na possibilidade de eu poder ajudá-la.
Terapia de Impacto
Trabalho com alguns tipos de terapia que podem mudar uma situação essencial da sua vida da noite para o dia. Mas, de forma alguma, prometo isto, pois sei que o cliente precisa estar totalmente pronto para dar este salto.
Muitos clientes chegam a mim pedindo para que eu faça o trabalho por eles. Isto é, me pedindo que eu realize um milagre. E digo que isto também não é possível. O cliente tem que estar completamente disposto a arriscar tudo naquele momento. Isto sim, faz a diferença nesse tipo de terapia de impacto.
Caso clínico de Helena
Helena veio com essa decisão interna. Ela chegou decidida a mudar porque estava completamente frustrada com a vida que levava. Um casamento chacoalhado, uma família desestruturada...
E um golpe fatal: ela realizou um negócio mal-feito, gerando uma dívida para a instituição que trabalhava e passou a se sentir profissionalmente fracassada. A sua melhor qualidade – a competência profissional – acabara de ruir.
Helena por ser considerada uma das melhores profissionais na sua área, apostou tudo na sua carreira, esquecendo o marido, os filhos, a casa, e principalmente esquecendo de si mesma.
Agora ela estava ali diante de mim, pedindo uma luz. E são nessas horas que algo é tocado dentro de mim e fico totalmente presente e disponível para aquela pessoa. E espero, ouvindo-a atentamente, que uma voz interior surja e diga algo para nós dois.
Como se processa a sintonia com a voz interior?
Sinceramente não sinto que seja a voz de algum espírito. Sinto, na verdade, que esta voz é a expressão e a fala que emergem da minha própria voz interior e se conecta com um campo energético-espiritual maior que não tem nome nem forma, apenas existe...
Esta voz, conectada com minhas múltiplas experiências terapêuticas, me guia indicando a direção terapêutica mais apropriada para aquela pessoa, naquele situação.
No caso de Helena, comecei seguindo a sua própria intuição. Alguém havia falado para ela que seria bom que ela fizesse uma regressão. Concordei com essa possibilidade porque isso soou bem para mim. Normalmente utilizo a regressão espaço-temporal (vidas passadas) como um último recurso, porque sei que a grande maioria dos nossos problemas tem raízes profundas nesta vida.
Também concordei porque meu estilo de regressão faz uma “varredura” por toda a vida atual do cliente e tenho a possibilidade de ver algo mais que seja útil para a compreensão do processo.
Regressão Espaço-Temporal
Começo com a linha da vida. Isto é: guio o cliente, num estado de auto-hipnose a voltar no tempo desde a idade que ele tem hoje, até o útero e depois para uma vida passada. Em cada ponto da linha da vida ele expressa o que está revivendo e se permite tomar consciência dos seus sentimentos, emoções e pensamentos naquele momento específico.
Helena só conseguiu chegar aos 22 anos de idade nessa primeira sessão. E muito já aconteceu. Ela tocou sentimentos profundos de abandono e traição que fizeram com que ela mergulhasse no cotidiano do seu trabalho com o objetivo inconsciente de não olhar para as suas próprias feridas.
Nesse momento ela pôde compreender que o problema não estava na sua compulsão de trabalhar. Aquilo era somente a sua estratégia de fuga. O seu problema era uma grande ferida de abandono e traição que ela trazia por ter perdido a mãe aos três anos de idade e como se não bastasse, Helena ainda foi abandonada pelo pai.
Essas feridas se propagaram por todas as suas experiências de vida. E ela fugia cada vez que elas eram tocadas. Em conseqüência as pessoas à sua volta também fugiam dela.
Essa imagem foi a primeira grande revelação que ela tivera neste final de semana.
No final desta sessão, Helena sentia seu corpo inteiro flutuar. Uma grande aura de luz a envolvia e cada toque do Reiki penetrava profundamente sua alma cicatrizando antigas feridas do passado.
A ciência do interior nos explica:
O que aconteceu com Helena nessa primeira sessão foi que ela se permitiu dar um mergulho, sentiu e acompanhou conscientemente tudo que lhe foi revelado. O fato de ela reviver, se deixar sentir, aceitar e expressar o que experimentava, proporcionaram um “salto quântico na consciência” de Helena e ela pôde repousar num espaço de cura e compreensão.
Essts são pontos primordiais na terapia existencial:
1. Reviver e “re-sentir” e não somente relembrar;
2. Aceitar tudo que se viveu, incluindo todas as cargas e feridas acumuladas;
3. Permanecer totalmente presente, num espaço de observação e desidentificação.
E neste processo o terapeuta pode ajudar muito, pois ele se transforma num agente catalisador daquela situação.
Como? Ficando totalmente presente, aceitando aquela pessoa da forma que ela está naquele momento e se mantendo um observador desidentificado do problema.
Desta forma cria-se um campo de consciência e de cura que envolve não somente o cliente mas todos os demais envolvidos na questão.
Namastê!
Para compreender melhor todo este processo leia também: “Fracasso: Um degrau para o Sucesso”, do mesmo autor.
Ashara G. Souza
Formação
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