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Alquimia das Emoções: O Medo

Guilherme Ashara

Enquanto Ronaldo – o fenômeno – assina um contrato com o Corinthians ganhando quinze milhões de reais por um ano, noventa por cento dos brasileiros tem medo de não sobreviver materialmente até o dia de amanhã; e os mais afortunados têm medo de não poder pagar as próximas faturas.


Mas então, faço uma pergunta: e o Ronaldo com todo esse dinheiro, será que paira acima de todos os medos? Acho que não! Lembro de uma entrevista que ele deu depois que o pegaram com o grupo de travestis onde ele parecia mais um menino assustado se desculpando com os pais do que o grande fenômeno que a mídia enaltece. Então, me parece que até os heróis tremem nas bases e também sentem medo, pavor e pânico.

O medo talvez seja um dos sentimentos mais presentes na vida de todos nós. Mesmo aquele que se diz corajoso, possivelmente ainda não passou por uma situação que ameaçasse o seu sistema de controles ou crenças.

Então, o que é o medo? Como ele se instala e age no nosso sistema?

De princípio ele é um sentimento natural e necessário, pois nos proporciona um estado de alerta que nos protege de perigos e ameaças iminentes. Normalmente ele gera reações de descarga de adrenalina, aceleração cardíaca, suor frio, tremor. São reações somáticas que nos preparam para enfrentar o perigo. Esta é uma definição do medo numa visão fisiológica.

Estou atendendo a um cliente que passa por problemas sérios de medo. Ele namorou por nove anos. Quando marcaram o casamento foi deixado pela namorada. A partir daí, além do medo somaram-se sentimentos de traição e abandono.

Ele compartilhou que viveu uma infância sendo superprotegido pela mãe e não desenvolveu a capacidade de enfrentar situações difíceis.

Um ano depois de terminar o seu namoro e sem ter ainda se aberto para outro relacionamento, a ex-namorada se reaproximou e pediu para que voltassem o namoro. Ele voltou, mas nunca mais confiou completamente em sua namorada.

Esta foi a razão pela qual ele procurou a terapia.

Outro exemplo aconteceu em um grupo que ministrei, onde uma senhora falou sobre sua síndrome de pânico. Ela comentou sobre sua “doença” como se fosse algo separado de si. Isto é: a doença está lá, ela tem que conviver com ela e o máximo que pode fazer é se medicar e controlar a mesma.

A verdade é que nem mesmo os psiquiatras sabem o que é o medo, a fobia ou o pânico. A medicina tem um bom conhecimento apenas dos sintomas e tratam esse “distúrbio” como se quisessem e pudessem isolá-lo. Como se o distúrbio não pertencesse ao paciente e não tivesse suas raízes ligadas ao passado e ao inconsciente das pessoas. E o “pior” é que, em alguns casos médicos “bem sucedidos”, eles realmente conseguem isolar a doença.

Mas, o que realmente está acontecendo e quais as conseqüência disso? O que acontece é que eles paralisam os sintomas, mas não tocam na raiz do problema.

A raiz do medo está em alguma situação traumática vivenciada por nós, a maioria das vezes na primeira infância; e que gerou um vácuo energético, um congelamento no nosso sistema psico-emocional.

Quando entramos em contato com situações que de alguma forma nos remetem àquela situação traumática, o nosso sistema lê essa situação como uma repetição e reage imediatamente. E cada repetição reforça a crença de que a doença do pânico não tem cura ou que se trata de um problema somático.

O que realmente pode curar uma pessoa com situações de medo ou pânico é levá-lo a reviver conscientemente essa situação que o traumatizou. Uma outra forma é induzi-lo a reviver o sentimento de medo na situação mais atual que está trazendo a repetição do sentimento.

Nessas situações o acompanhamento de um profissional especializado é essencial, pois o cliente precisa ser guiado e ser apoiado para “enfrentar” a situação que o traumatizou.

Utilizamos-nos de diversas ferramentas terapêuticas para tratar o medo. A Regressão Espaço-Temporal, o Renascimento, a Massagem Psíquica, a Biopulsação, podem ajudar no processo de conscientização e cura dos processos fóbicos.

No seu livro Emoções – Editora Cultrix –  Osho nos dá uma definição do nosso medo básico e nos propõe várias meditações para enfrentarmos e transformarmos os medos:

“Só existe um medo básico. Todos os outros medos são conseqüências do medo principal que todo ser humano carrega dentro de si. O medo é de se perder. Ele pode acontecer na morte, no amor, mas o medo é o mesmo.”

“Você tem medo de se perder. E o mais estranho é que as pessoas que têm medo de se perder são justamente aquelas que não estão de posse de si mesmas. Aquelas que estão de posse delas mesmas não têm medo. Então, é na realidade uma questão de exposição. Você não tem nada a perder.”

Namastê!

Ashara G. Souza
Formação em Psicologia Transpessoal, Terapia Reichiana de Biopulsação e Constelação Familiar.
Envie perguntas e comentários para: ashara@secrel.com.br


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