Há muito tempo sei que uma das maneiras mais diretas para atingirmos a felicidade é sermos totais naquilo que estamos fazendo. Mas um insight me mostrou algo mais que gostaria de compartilhar agora com vocês.
A consciência é uma só. Vivemos no mar de uma consciência única. Temos também nossa consciência individualizada. Em outras palavras: temos a nossa própria maneira de usar essa grande consciência.
Alguns usam a consciência para ter mais dinheiro, outros para ter mais poder político, outros querem uma família, outros focam a consciência em uma religião. Poderíamos citar milhares de exemplos, mas se você observar, em todos os exemplos acima, estamos utilizando nossa consciência dirigida para o lado de fora, para o exterior. Raríssimas pessoas usam sua consciência para olhar para dentro, para descobrir quem são.
Esta é, em minha opinião, a principal razão de estarmos vivendo no sofrimento, na frustração e na miséria em todos os níveis: físico, mental, emocional e espiritual.
Então, por que a totalidade não está nos proporcionando felicidade?
Exatamente porque estamos vivendo “totalmente” para fora. Existem muitas pessoas que se esforçam ao máximo para terem aquilo que querem, mas mesmo assim vivem insatisfeitas. Elas acham que ainda não conseguiram o suficiente para serem felizes e antes mesmo de terminarem uma conquista, já estão pensando na próxima. A insatisfação está sempre presente; e a satisfação parece estar sempre na linha do horizonte. Você já observou que nunca conseguimos chegar na linha do horizonte?
Mas, voltando à questão da consciência:
Meu insight é que todos nós temos a mesma consciência em potencial. Todos nós vivemos no mesmo mar de luz, inteligência e amor. Então, porque somente alguns conseguem essa almejada realização? E respondo: porque estamos focando na direção ‘errada’. Alguém poderia perguntar: e é errado querer um carro, uma casa e uma família? Não, absolutamente. O ‘errado’ é colocar cem por cento da nossa energia nessa direção e nenhuma na direção da busca interior, do autoconhecimento
Se olhamos para dentro e descobrimos quem somos, veremos que somos a própria satisfação. Daí eu pergunto: para que, então, procurar por satisfações exteriores? Mas o problema é que ainda não acreditamos que tudo o que pode nos preencher e nos tornar realizados (muito mais do que simplesmente felizes) está nos esperando dentro de nós mesmos.
Qual seria, então, a solução?
A ‘solução’ está em dirigirmos nossa consciência na direção correta. Isto é: para dentro de nós.
Você poderia perguntar: como vou ganhar o meu pão-de-cada-dia, se boa parte desse tempo dedico a ‘olhar para dentro’?
Minha percepção é que se nos conhecemos, conhecemos também a satisfação interior, então, poderemos trabalhar com satisfação, amar com satisfação, brincar com satisfação. Poderemos, até mesmo, não ter muito dinheiro, nem muitos amigos, mas, mesmo assim, continuaremos totalmente satisfeitos. Vocês acreditam nisso?! Se descobrirmos quem somos, tudo o que fizermos ou deixarmos de fazer será com satisfação, simplesmente porque descobrimos a fonte de onde brota alegria e o preenchimento.
Por isso, alguns mestres afirmam que a satisfação não está no futuro. Ela está no aqui e agora. Quando focamos a consciência no futuro o que vivemos é a dualidade expectativa-frustração. Somente compreendendo e libertando-nos das expectativas e dos desejos, poderemos viver a satisfação e o preenchimento.
Então, minha dica é: sejamos totais, porém focados na direção correta.
Buda, o Gautama, falou da “lembrança correta” que não é nada mais do que relembrar quem somos. Essa, para os Budistas, é a chave dourada.
A. H. Almaas, em seu livro Coração de Diamante nos fala dessa questão de forma clara. Ele escreve: “As nossas preocupações costumam ser mal direcionadas, pois são preocupações da nossa personalidade que acabam sempre nos trazendo algum tipo de sofrimento. Acreditamos que se conseguirmos o que queremos, aquilo que a nossa personalidade quer, nos sentiremos realizados. Mas a realização só é possível com a libertação dos nossos desejos. Isso quer dizer que ser o que somos, sermos a nossa essência, livres dos desejos da nossa personalidade é a verdadeira realização”.
E concluímos com mais um brilhante insight do Místico Osho: “A consciência nunca é perdida. Ela simplesmente se torna envolvida com o outro, com objetos. Assim a primeira coisa a ser lembrada é que ela nunca é perdida, ela é a sua natureza, mas você pode focá-la em qualquer coisa que você quiser. Quando você se cansar de focá-la em dinheiro, em poder, em prestígio, e o grande momento chega à sua vida, quando você quer fechar os olhos e focar sua consciência na sua própria fonte, de onde ela vem, nas raízes – numa fração de segundo a sua vida é transformada."
Namastê!