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Case: Um Novo Olhar sobre o Paciente

Constelação Organizacional em um hospital


Como olhar para o paciente com atenção e respeito? Como podemos ajudá-lo?

Vamos olhar para um problema em uma unidade de tratamento em um grande hospital do governo estadual da cidade de Fortaleza.

A reclamação principal que faz a equipe de enfermagem dessa unidade é que falta infraestrutura para um melhor atendimento aos pacientes. Eles exemplificaram com um problema comum em hospitais do estado: a superlotação, com pacientes em estado de saúde grave esperando por atendimento deitados em macas nos corredores. Ressaltaram a falta de respeito a esses pacientes.
Pedi, como se faz nas constelações organizacionais, que uma das enfermeiras dessa unidade escolhesse duas pessoas, uma para representar as enfermeiras e outra para representar os pacientes. Coloquei-os um diante do outro a uma distância de três metros e dei a orientação de que ficassem atentos às sensações corporais, aos sentimentos e a movimentos que porventura quisessem acontecer. 
Ambos ficaram parados. Depois de algum tempo perguntei a representante das enfermeiras (*) o que estava acontecendo. Ela respondeu que olhava para o paciente com cuidado e querendo ajudar. Perguntei então à paciente o que estava acontecendo com ela. Ela respondeu que estava se sentindo bem e que gostava de ser vista pela enfermeira.
Coloquei então outra pessoa para representar um paciente esperando na maca. Ela, depois de um tempo, relatou que se sentia triste e desprezada. A enfermeira olhava para ela e queria ajudá-la, mas não conseguia se mover, apenas queria falar que sentia pena, mas não podia fazer nada, pois não havia leitos disponíveis. A paciente, perguntada como ouvia aquilo, respondeu que não acreditava nas palavras da enfermeira.
Já se mostrava claro naquela constelação, a paralisia e a falta de iniciativa da equipe de enfermagem. Decidi então experimentar algo mais. Coloquei um representante para os leitos. Falei para a representante das enfermeiras que agora existia um leito disponível. Ela quis dar explicações para o paciente, mas pedi que ela não falasse, apenas seguisse seu movimento interno. Ela continuou imóvel. Não conseguia dar um passo para ajudar à paciente.
O problema que de antemão era somente de infraestrutura mostrava uma nova e importante faceta. Podíamos ver claramente pela imagem da constelação que algo paralisava a equipe de enfermagem, mesmo mostrando boa intenção para ajudar.
Coloquei então no sistema mais uma enfermeira da própria unidade que relatara o problema. Ela alertou à companheira que agora existia um leito e que a ação correta seria levar o paciente ao leito. Assim foi feito pelas duas. Mas quando a paciente chegou ao leito declarou que não se sentia bem.
Deixei que o movimento se seguisse até que a primeira paciente colocada se dirigiu à outra paciente e a acariciou, mostrando seu amor e atenção com gestos e toques. Foi quando a paciente que já se encontrava no leito se sentiu acolhida e retribuiu com um sorriso agradecido.
Demos por concluída a constelação.
(*) Decidimos pelo feminino, pois noventa e nove por cento da equipe de enfermagem deste hospital é composta por mulheres.
CONCLUSÕES:
Os comentários anteriores à constelação eram de que o problema era somente a falta de infraestrutura. Vimos através do que nos mostrou a constelação que as enfermeiras por estarem fixadas naquele problema, não conseguiam ver as possibilidades simples e claras que se encontravam diante dos seus olhos. Normalmente quando olhamos para um problema com um julgamento ou uma conclusão pré-estabelecida não conseguimos olhar para o mesmo. E soluções simples desaparecem por completo da nossa visão.
Já havíamos visto, em uma primeira constelação organizacional com a direção do hospital, que todos olhavam para uma solução fora, no governo, em soluções externas. Concluímos juntamente com a direção que a fixação do olhar na direção de uma solução única vinda de fora não ajudava, pois as soluções mais próximas acabavam desaparecendo. Agora víamos uma conclusão semelhante.
Outro ponto que podemos ver é que os pacientes não querem simplesmente ter leitos, eles querem ser vistos e amados. Quando eles são cuidados com carinho e atenção eles se sentem bem. Esse é o maior respeito que podemos dar a eles.
Minha pergunta é: como dar atenção e respeito de forma profissional, humana e salutar? Por que como mostrado na constelação acima, parece que existe uma paralisia nos sistema dos profissionais de ajuda? Como podemos diminuir ou até eliminar essa paralisia?
PRÓXIMO PASSO
O próximo passo no nosso Programa de Melhoria de Relacionamentos e Produtividade nesse hospital é trabalhar as “Ordens da Ajuda”. Lá, são definidas claramente por Bert Hellinger, o que significa ajudar, a ajuda como compensação, e diversas outras ordens essenciais para os profissionais de ajuda.

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